Zona Oeste Mais fez aniversário, balanço e recebeu crítica

Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, 07 de maio de 2026
A Zona Oeste Mais Saneamento completou, na segunda-feira (4), 14 anos de atuação na Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro anunciando um avanço expressivo no acesso ao saneamento: informou que o índice de tratamento de esgoto na região saltou de 5% para 60% desde o início da operação, em 2012.
Esclareceu que o crescimento refletiu uma série de investimentos em infraestrutura e expansão da rede. Que ao longo do período, foram aplicados mais de R$ 1,3 bilhão, com a implantação de mais de 631 quilômetros de redes coletoras e a ampliação da capacidade operacional.
Segundo a empresa, os avanços já impactam diretamente mais de 1,1 milhão de pessoas, com reflexos na saúde pública, na valorização urbana e na preservação ambiental, especialmente em áreas historicamente carentes de infraestrutura de saneamento.
Convidado por nossa redação, o coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Potiguara, mestre em Ciências Ambientais pela UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – e doutorando em Antropologia pela UFF – Universidade Federal Fluminense -, criticou o balanço da Concessionária Zona Oeste Mais Saneamento em busca de resultados que justificassem os números apresentados:

“O que nós temos vistos é uma intensa propaganda por parte das concessionárias privadas que milagrosamente dizem que as praias da Baía de Guanabara estão próprias ao banho, e que houve um grande avanço na coleta e tratamento de esgoto na Zona Oeste da cidade do Rio.
O Baía Viva considera que há muita propaganda enganosa nessas informações divulgadas, tanto pelo governo do estado quanto pelas concessionárias privadas.
Por que essa afirmação?
Porque os indicadores ambientais da Zona Oeste não foram alterados. Vou dar alguns exemplos: primeiro: todas as praias interiores, tanto da Baía da Guanabara quanto da Baía de Sepetiba, que abrange a Zona Oeste do Rio, continuam impróprias ao banho. Segundo: nenhum rio, canal ou valão, foi efetivamente despoluído, portanto, pelo menos esses dois indicadores não foram até o momento atendidos.
Se houvesse de fato esse aumento tão expressivo na taxa de tratamento de esgoto que a concessionária diz, que passou de 5% para 60%, já teria dado tempo suficiente para que houvesse uma melhoria dos indicadores ambientais e de saúde pública. Deveria estar expresso na despoluição e recuperação ambiental de alguns dos rios e canais que desaguam na baía de Sepetiba, e também nas condições de vida dos pescadores, que sabemos, tem suas embarcações pequenas atoladas na lama, no assoreamento, e também já teria dado tempo para que as praias interiores da Baia de Sepetiba estivessem recuperadas, limpas, despoluídas. Portanto, o que há é uma forte propaganda midiática de supostos investimentos bilionários, mas na prática não estamos vendo nenhuma praia despoluída na zona oeste, nenhum rio recuperado, o que temos visto são reclamações de banhistas, moradores, comerciantes, de pescadores, que veem se agravando a saúde ambiental da Baia de Sepetiba, seja pela urbanização intensa, que infelizmente não avança juntamente com as politicas de habitação e saneamento, ou em função do processo de reindustrialização que as baías do Estado do Rio de Janeiro vem sofrendo, principalmente a partir do inicio da exploração do pré-sal – hoje a maior pressão sobre a Baía de Sepetiba vem da exploração na Bacia de Santos – que vem trazendo para essa região grandes empreendimentos industriais que afetam diretamente a saúde ambiental, tanto da Baía de Sepetiba quanto da Baia da Ilha Grande, e por consequência a economia da pesca e do turismo”, analisou Sérgio Ricardo.
Atualmente, a concessionária Zona Oeste mais atende 24 bairros da Zona Oeste, operando 23 Estações de Tratamento de Esgoto, com capacidade superior a 2,1 mil litros por segundo, além de 91 estações elevatórias e sistemas que atendem 144 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
A empresa destaca que o foco para os próximos anos está na continuidade da expansão da rede e na universalização dos serviços, acompanhando as metas nacionais de saneamento.
A Zona Oeste Mais Saneamento é responsável pela coleta e tratamento de esgoto na Zona Oeste do Rio de Janeiro, atuando com foco em eficiência operacional, sustentabilidade e impacto positivo nas comunidades atendidas.
Por Jessé Cardoso

