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Santa Cruz sai na frente por Indicação Geográfica do seu Aipim

Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, 07 de outubro de 2026.
Por iniciativa da professora e historiadora especializada em Fazenda de Santa Cruz e Matadouro Público de Santa Cruz, Edite Moraes, em parceria com a UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e o Inovates – Instituto de Inovação e Tecnologia Sustentáveis, aconteceu na tarde da terça-feira (06.10), no Instituto de Agronomia da UFRRJ, no Município vizinho de Seropédica, o 1º Seminário da Indicação Geográfica do Aipim de Santa Cruz.

Marcaram presença no evento a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Pesagro Rio, a Emater Rio e Nova Iguaçu, o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Sebrae-Rio, a Faperj, produtores rurais, estudantes, cooperativas, executivos do setor e secretarias municipais e estadual, entre outros interessados.
Edite Moraes e Anelise Dias apresentaram o projeto destacando que o trabalho apresenta um levantamento histórico e social da produção de aipim (mandioca de mesa) na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Que integra documentos, bibliografia e entrevistas realizadas no período de novembro de 2024 a fevereiro de 2026 para analisar a notoriedade dos colonos e trabalhadores da agricultura familiar do Núcleo Colonial de Santa Cruz (NCSC) no desenvolvimento de técnicas que viabilizaram o cultivo em larga escala do Aipim Santa Cruz e o seu destaque no comércio.
Como resultado preliminar, apontaram o reconhecimento da Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro que classificou o Aipim de Santa Cruz como um Patrimônio Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro por sua relevância cultural, econômica, social e histórica; e os diagnósticos feitos a partir pesquisa etnográfica e entrevistas com os agricultores, que permitiram apontar o cenário atual de ausência do poder público e o empobrecimento dos agricultores familiares, ameaçando a continuidade da produção.
Durante o debate e ao final dos trabalhos onde todos contribuíram com informações e experiências relevantes, ficou clara a necessidade de se fazer a Indicação Geográfica do Aipim de Santa Cruz lhe conferindo um Selo de proteção para a qualidade do produto e satisfação dos consumidores e produtores, além de inseri-lo em um contexto amplo da economia local, facilitando a empregabilidade e a formação de renda na agricultura familiar, bem como em outros segmentos, principalmente no turismo.
“Santa Cruz é um autêntico território do aipim de mesa no estado do Rio de Janeiro, onde o cultivo da raiz atua como um fator importante de aglutinação social e cultural, com conhecimentos próprios. A notoriedade alcançada pelo Aipim Santa Cruz fundamenta-se em sua qualidade intrínseca, reconhecidamente superior às raízes de outras regiões fluminenses. Sua produção é realizada, frequentemente, sem o emprego de agroquímicos, em solo único – turfa, um solo escuro e muito rico em matéria orgânica, o que confere lhe confere um padrão de sabor e maciez reconhecido nas feiras do Rio de -; e a mão de obra nas roças é predominantemente da agricultura familiar, incluindo ainda, relações de parceria, arrendamento e meação”, concluíram.
Por: Jessé Cardoso

