Por Jessé Cardoso: Segurança Para Todos ?

Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2026.
Os Conselhos Comunitários de Segurança que se reúnem uma vez ao mês, mudaram mais uma vez. A primeira, foi no início, quando as lideranças – presidentes de associações de moradores – se afastaram com medo de represálias de possíveis criminosos presentes nas reuniões, que poderiam ouvir suas queixas. As lideranças independentes, sem representatividade, que só queriam estar próximas dos Comandantes do Batalhão e dos Delegados de Polícia – membros natos -, permaneceram.
Para corrigir, os Conselhos Comunitários de Segurança passaram a interpretar o conceito de segurança pública destacando a fiscalização da oferta dos serviços básicos de asfaltamento, iluminação, saúde, entre outros, tirando o foco da repressão aos crimes urbanos contra a população – roubo, assaltos, atentado contra vida, entre outros -. Dessa forma, os representantes do executivo e legislativo, com ou sem mandato, passaram a ser convocados para as reuniões; e os representantes das comunidades voltaram a frequentá-las. Um novo público também chegou: parlamentares e seus cabos eleitorais.
Com a finalidade principal descaracterizada – repressão aos crimes contra a vida, patrimônio, assaltos e furtos – as reuniões ficaram previsíveis, limitadas a oficialização de pedidos de serviços públicos.
Correção
A segunda mudança aconteceu com a criação de um grupo de WhatsApp para a verdadeira comunidade, aquela que não pode ir às reuniões do CCS, nem ser representada pelo seu presidente, mas agora, pode ser membro do grupo de WhatsApp e apresentar suas verdadeiras demandas por segurança.
Com isso, apareceu a verdadeira mancha criminal, um retrato dos Boletins de Ocorrências feitos nas delegacias de polícia civil, pouco usados pela comunidade pela demora no atendimento.
A partir daí, ficou clara a grande procura por serviços de segurança e a certeza de que falta estrutura administrativa e operacional aos quartéis e delegacias para atender as demandas, mesmo sendo de poucas centenas de membros do grupo de WhatsApp .
A conclusão é que não temos segurança para todos. No Conselho Comunitário de Segurança, os membros do grupo de WhatsApp e os frequentadores das reuniões conseguem algo; na Operação Segurança Presente, só aqueles que estão nas áreas escolhidas. Poucos usuários do 190 e 1746, entre outros serviços, são atendidos satisfatoriamente.

