Por Jessé Cardoso: Se conselho fosse bom…

O Conselho de Segurança Comunitário da 40ª (AISP) que tem como membros natos o delegado titular da 35ª  Delegacia de Polícia Civil e o comandante do 40º BPM – Batalhão de Polícia Militar – em Campo Grande, além de representantes da sociedade civil, se reúne mensalmente com objetivo de orientar as ações de segurança pública,  promover a integração entre os órgãos públicos, acolher e orientar a população da região sob as demandas apresentadas, entre outras atribuições que construam políticas de segurança pública local.
Todavia, o conselho  tem dificuldades para exercer o seu papel em sua plenitude por diversos motivos. O principal é o risco que os representantes das comunidades correm ao ter que defender seus interesses em reuniões públicas, onde nem todos os presentes são identificados, tendo que acusar marginais e as vezes até maus policiais. O fato se repete quando eles precisam acusar de omissão ou conivência o delegado e o comandante, que não cobram do sistema estadual de segurança ações contundentes contra a falta de estrutura administrativa e operacional em suas unidades –  costuma faltar material de expediente na delegacia, uma segunda  delegacia  no bairro já é uma obrigação constitucional; no 40º BPM o contingente operacional é insuficiente há muitos anos – ,  culminando na ocorrência de diversos delitos e crimes em plena luz do dia. Tais ocorrências derrubam a tese defendida pelos gestores do Conselho Comunitário, e por algumas lideranças comunitárias, de que asfalto liso, ruas iluminadas, árvores podadas, é segurança. As reuniões do Conselho usam esses narrativas para justificarem sua existência, pois o tema central não é debatido. Uma das atribuições desse Conselho é analisar mensalmente os resultados operacionais da delegacia e do batalhão. No contexto atual é uma missão impossível.
Contudo, fora do conselho acontece alguma coisa: um ano após a criação do Comitê Intersetorial de Segurança Escolar presidido pela Secretaria Estadual de Educação, os ataques às escolas diminuíram sensivelmente. Foi criada uma política de proteção às escolas. O assunto parece que nunca foi tratado no Conselho Comunitário de Segurança.
Ultimamente alguns vereadores vem denunciando ataques às escolas do município e não acontece nada. Parece que as lideranças comunitárias que frequentam as reuniões do Conselho não tem escola em suas comunidades.
Muitos comunitários deixaram de frequentar as reuniões do Conselho por não ver resultados. Alguns delegados e comandantes parecem não fazer questão de frequentar e muitas vezes se fazem representar, talvez por não acreditar nos resultados.

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