Padre Miguel pede a volta do Ponto Chic

Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, 28 de maio de 2026.

Boa parte da população de Padre Miguel e adjacências evita frequentar o Ponto Chic. O local é um fenômeno urbano fascinante do Rio de Janeiro, que representa a pura essência do subúrbio carioca, histórico ponto cultural e gastronômico. Abrange quase toda a Rua Figueiredo Camargo, via de ligação ao bairro de Bangu. Hoje, o morador evita frequentar o local, se tranca em casa ou sai em busca de novas opções de entretenimento e lazer, por conta da desordem social, urbana e politica que impera no local. Indagado, ele não quer falar e se limita a dizer que não encontra mais os amigos e vizinhos, a frequência vem de fora do bairro, atraídos pelos shows artísticos e gastronômicos. Ainda há aqueles que sentem imunes ou se adaptam a nova realidade do bairro e dizem que está tudo bem, atrapalha mas também ajuda.

NOVO PONTO CHIC

O ponto cultural e gastronômico aumentou suas atividades de forma desordenada abrindo espaços para:

Desordem Urbana: o aumento desordenado das atividades bloqueia calçadas – Bar do Souza, Bar das Meninas, Bar do Popo, Calçada do Chopp, Welcome Ponto Chic, Depósito de Bebidas 4 Irmãos, Bateria Nota 10 -, prejudica a mobilidade dos moradores, gera poluição sonora e satura os serviços básicos, como o transporte público, a coleta de lixo e a iluminação;

Desordem Política: a falta de fiscalização e de um plano de zoneamento que proteja tanto o comerciante quanto o morador – o poder público muitas vezes falha em mediar o espaço, agindo apenas de forma reativa (quando age).

Desordem Social e Violência: a vulnerabilidade da região acaba atraindo ou ficando exposta à criminalidade, transformando um ambiente familiar e festivo em um ponto de tensão e medo. Os registros policiais recentes da região, deixaram de ser apenas casos de “perturbação do sossego” e passaram a ser casos de violência grave:

  • Junho de 2025 (Homicídio após briga de bar): Um caso que chocou a região foi o do jovem Caio Vinícius de Almeida Costa, de 28 anos. Ele foi baleado e morreu após uma discussão que começou dentro de um estabelecimento e terminou na calçada. O caso foi registrado na 34ª DP (Bangu).
  • Agosto de 2025 (Baleado em Casa de Shows): Outro episódio grave ocorreu na madrugada de um domingo, no Soho Lounge Bar. Após uma briga e agressões físicas, um policial militar de folga sacou a arma e atirou nas costas de outro frequentador, que ficou em estado grave. O policial foi preso em flagrante.

E O PODER PÚBLICO ?

A Secretaria de Ordem Pública (SEOP), junto com a Subprefeitura da Grande Bangu e a Guarda Municipal, tem realizado algumas megaoperações de choque de ordem, muito motivadas por denúncias anônimas de moradores que usam os canais oficiais (como o Disk Denúncia e o 1746), tais como:

  • Interdições e Cassação de Alvarás: Bares e comércios (incluindo hortifrutis e lounges) já foram interditados ou tiveram alvarás cassados por funcionarem em desacordo com as regras, operando com som absurdamente acima do limite permitido.
  • Desocupação de Calçadas: Apreensão de dezenas de mesas, cadeiras, grades e lonas que bloqueavam totalmente a passagem de pedestres na Figueiredo Camargo.
  • Infrações de Trânsito: Reboque de carros estacionados em cima de calçadas e fechamento de pistas de forma irregular por causa dos eventos clandestinos.

O próprio secretário de Ordem Pública já declarou publicamente que o Ponto Chic é visto pela prefeitura como um polo gastronômico fundamental a qualidade de vida do morador, considerado inclusive Patrimônio Cultural Imaterial do Rio desde 2023, mas que o excesso e a ilegalidade de alguns promotores e comerciantes novos estão sufocando o bairrol.

Essas operações da prefeitura costumam funcionar como um “remédio paliativo”: eles vão, multam, fecham, mas basta a fiscalização virar as costas para a desordem tentar se reinstalar, justamente porque a comunidade local está acuada para manter a vigilância ativa.

SOLUÇÃO

De acordo com os moradores descontentes, para mudar esse quadro será preciso uma força-tarefa que passe por um choque de ordem pública, segurança presente e, acima de tudo, que inclua os próprios moradores e comerciantes para exigir o respeito que Padre Miguel merece. Será preciso Blindar a Fiscalização, impedindo que os agentes da SEOP, da Vigilância Sanitária e da Guarda Municipal atuem sem protocolos rígidos e automatizados, dando oportunidades a um “telefonema de cima” para cancelar uma multa ou uma interdição; asfixiar Financeiramente os Promotores Irregulares, ampliando o foco no barraqueiro ou no elo mais fraco, até a linha técnica de investigação (envolvendo a Polícia Civil e a Secretaria de Fazenda) indo atrás de quem financia e lucra alto com os eventos desordenados, lavando dinheiro ou operando sem pagar impostos; e finalmente a Presença Estatal Permanente e Desvinculada de Eleições. Operações técnicas não têm calendário eleitoral. Elas exigem a instalação de monitoramento por câmeras conectado direto ao COR (Centro de Operações Rio), ocupação fixa de forças de segurança e fiscalização diária, e não apenas em fins de semana específicos.

“Quando nós moradores e comerciantes tradicionais, que construímos a identidade do bairro, recuamos evitando represálias, o território fica livre para a ocupação de quem não tem nenhum compromisso com a memória ou com o bem-estar do bairro”, pensaram.

O QUE FAZER PARA ROMPER A BLINDAGEM DO SISTEMA ?

Comerciantes e moradores inconformados com os canais políticos corrompidos, pensam em usar o MP para mover Ações Civis Públicas por improbidade administrativa contra os gestores públicos que se omitem.

“Se o secretário, o subprefeito ou o comandante da região começarem a responder judicialmente (com risco de perderem o cargo ou terem bens bloqueados) por permitirem a desordem e a violência no Ponto Chic, a “blindagem” começa a rachar. A caneta técnica passa a funcionar pelo medo da punição judicial, acreditam. O “vale tudo” e os eventos desordenados só acontecem porque dão muito lucro. O dia em que delegacias especializadas (como a Draco ou a de Combate à Corrupção) começarem a rastrear para onde vai o dinheiro das taxas ilegais cobradas de ambulantes, dos estacionamentos clandestinos e da venda de bebidas, o esquema desmorona. Sem o lucro, o interesse político no local desaparece”, concluíram,

Por Jessé Cardoso / Ass. de Imprensa

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